segunda-feira, 30 de agosto de 2010

3 x Cinema Brasileiro - Mérito de Nós Mesmos!

Estou sem postar há meses e meses. A correria de faculdade e estágio não é mole. Só que agora a vida mudou e este será o meu primeiro post como uma jornalista! Enfim, formada!

Decidi não ter uma obrigatoriedade de escrever e apenas fazê-lo quando me der vontade. E um motivo muito especial me trouxe até aqui: o nosso cinema! Nesta última semana tive o privilégio de assistir a três obras interessantíssimas do cinema brasileiro.

Em primeiro lugar, "Cabeça a Prêmio", longa dirigido por Marco Ricca e com Alice Braga, Cássio Gabus Mendes, Fulvio Stefanini, Otávio Müller e Eduardo Moscovis no elenco.

Baseado no livro homônio de Marçal Aquino, o filme entrelaça três histórias: a relação entre os irmãos Miro (Fulvio) e Abílio (Otávio Mülller), pecuaristas que também comandam negócios ilícitos; o romance entre a filha de Miro, Elaine (Alice Braga), com Dênis (Daniel Hendler), piloto de seu pai; e a vida do matador encarregado de trazer Elaine de volta para casa, Brito (Eduardo Moscovis), também vítima de uma história de amor. O longa se caracteriza pela direção coerente, detalhista e sensível de Marco Ricca e uma ótima atuação de Eduardo Moscovis e alice Braga. Os belíssimos planos de sequência foram filmados em Bonito, Corumbá, Campo Grande, Sidrolândia e Paulínia. Vale a pena assitir ao desenrolar dessas histórias!



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O segundo filme da semana foi "5 x Favela - Agora por Nós Mesmos", longa de Cacá Diegues que, de longe, é o mais realista dos filmes que tratam desta temática. Desta vez, a favela é retratada pelo ponto de vista daqueles que moram e agem por lá, ao contrário do filme original, de 1961, um dos marcos do Cinema Novo, que na época reuniu os diretores 'do asfalto'.

Dividido em cinco episódios totalmente concebidos e realizados por jovens moradores de favelas, o longa é um espelho do cotidiano em comunidades carentes, com suas histórias felizes e trágicas, fugindo, assim, dos estereótipos violentos. Uma reunião de excelentes personagens que fazem rir e chorar com suas situações corriqueiras e típicas: a luta de um jovem para se formar em Direito, a pureza de um menino que quer presentear o pai com uma refeição mais digna, a rivalidade entre comunidades próximas, problemas como a falta de luz e a inevitável presença da violência na vida dessas pessoas. Tudo em "5 x Favela - Agora por Nós Mesmos" é real, intenso, puro, divertido e emocionante. Fica aí mais uma dica!



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Por último, assisti ontem a pré-estreia de "Nosso Lar", filme baseado na obra de Chico Xavier. Sem levar em consideração o meu apreço e ligação com o espitritismo - cada vez mais intensa - esta é uma obra belíssima que traz muitos ensinamentos para a humanidade.

O filme mostra a saga de André Luiz que, ao despertar no Mundo Espiritual, lida com as situações mais adversas em um lugar sombrio e escuro. Após um longo período de sofrimento, ele é recolhido por espíritos do bem e levado para a Colônia Espiritual Nosso Lar. A partir desse momento ele descobre que a sua história está apenas começando e adquiri conhecimentos que mudarão completamente o seu modo de enxergar a vida. Independente da religião, todos deveriam assistir ao filme. Além da magnífica história, os efeitos especias e imagens são belíssimos, no maior estilo holywoodiano. Sem contar com os grandes ensinamentos para a vida. Após a sessão, fica a sensação de bem-estar, a vontade de fazer o bem e de se tornar, cada vez mais, um ser humando melhor. Impossível não ir às lágrimas!



Assim acaba nossa odisséia pelo cinema nacional. Chega o momento de olhar para o nosso umbigo e para tudo o que produzimos em terras tupiniquins! Viva!!

Até a próxima - que tende a ser em breve!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um dia na ex-sede da República

Bati o recorde. Dois meses exatamente sem postar. Infelizmente a rotina diária me afastou um pouco do blog, mas as férias estão chagando e prometo atualizar mais. Esta volta tem um motivo muito especial. Quero que vocês aprendam um pouco do Catete, bairro carioca que carrega uma legião de moradores apaixonados. Para fazer esta matéria encontrei personagens riquíssimos como é o caso da dona Maria José e do seu Jorge Costa. Conheçam um pouquinho desta história de amor:

Fachada da 9ª Delegacia Policial (Catete). A construção é de 1908:



É um dia como outro qualquer no bairro do Catete. Os passos fortes e rápidos de quem se desloca para o trabalho se mistura às buzinas dos carros, freadas de ônibus, gritarias de comerciantes e algazarras de estudantes na porta do Colégio Zaccaria. A rotina dos moradores permanece a mesma desde 1960, ano em que o bairro deixou de sediar a Presidência da República brasileira. Apesar da aparente semelhança, os que presenciaram os tempos áureos do Catete se entristecem a cada dia, devido à decadência do local. Problemas como falta de policiamento, deterioração do patrimônio público e sujeira nas ruas levam o bairro diretamente dos livros de História do Brasil para as páginas de jornais cariocas.

Localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro, o Catete é uma região de classe média de mais de vinte mil habitantes, muitos deles amantes fervorosos do local. Moradora do bairro há três décadas, dona Maria José Arruda Galvão, de 72 anos, é presidente e uma das fundadoras da Associação de Moradores e Amigos do Catete e Praia (AMACAP), que hoje fica em uma pequena vila, quase invisível, na Rua do Catete. Com apenas um telefone, uma mesa e cadeiras de ferro, a professora aposentada dedica horas de seu dia a atender reclamações de moradores e buscar soluções para os problemas do bairro. Tudo isso sem receber nada em troca.

- É muito amor (pelo Catete). Aqui era um lugar muito calmo, de muita paz. Hoje, nem os políticos olham para nós. Antes a gente reclamava e era atendido. Agora, reclamar e nada é a mesma coisa, critica a aposentada que, apesar das mazelas, garante que não pretende se mudar.

As recordações do passado não ficam apenas em livros e na memória dos moradores. Em 1999, o professor de Física Jorge Costa, de 48 anos, criou o site Bairro do Catete, uma página que contém a história detalhada da região, além da biografia de moradores ilustres como Machado de Assis e a princesa Carlota Joaquina. Residente do local desde seu nascimento, Costa cresceu ouvindo histórias do bairro contadas por seus familiares e decidiu, em 1998, reuni-las no livro Pequena História do Catete. A partir daí surgiu a ideia de criar o site, que já chegou a ter mais de um milhão de acessos por ano. Todo o conteúdo publicado é produzido e administrado por ele, sem nenhuma ajuda de custo.

- Faço com muito prazer, sou apaixonado pelo Catete. Sempre soube de muitas histórias e os moradores e amigos pediram para que eu escrevesse um livro, para passar esse conhecimento adiante, conta.

Saiba mais sobre o Catete: http://www.bairrodocatete.com.br/

Bairro conserva a antiga arquitetura:

Durante alguns meses o professor embarcou no universo de historiadores e jornalistas: entrevistou diversos moradores, foi atrás de documentos antigos, leu muitos livros e até fez pesquisas para saber o que falta no bairro, em termos de entretenimento e comércio. “Só não temos uma tabacaria e loja de carro importado, de resto temos tudo”, afirma. Apesar de apaixonado, Jorge não fecha os olhos para a realidade e reconhece que o bairro está longe da perfeição. Para ele, o que há de pior no Catete é a sujeira e a depredação do patrimônio público.

- A Prefeitura colocou placas de bronze pelo bairro, explicando o que era cada lugar. Essas chapas foram roubadas. Logo depois, eu mandei fazer placas de acrílico e aparafusei uma por uma. Poucos meses depois já não havia mais nada. Roubar placas de bronze para vender, tudo bem. Agora, as de acrílico, que não têm valor comercial nenhum, isso é vandalismo, protesta.

Para o apaixonado cateteano, a decadência da região começou a partir das obras de construção do metrô, nos anos 70. A oferta de emprego atraiu milhares de nordestinos para a cidade e o caos nas ruas afastou os moradores locais.

- As ruas do bairro estavam muito esburacadas e as pessoas começaram a sair daqui. Quando o metrô ficou pronto, o bairro já tinha uma fama péssima. Nem a cidade muito menos o Catete estavam preparados para esta migração descomedida.

O Museu da República:





Fachada do Museu da Repúbica, antigo Palácio do Catete:

Símbolo do poder e da nobreza da época, o Palácio do Catete deixou de abrir as portas para políticos importantes e passou a receber visitantes interessados em reviver a história brasileira. Para os que buscam alguma tranquilidade imersa ao caos urbano, o jardim do atual Museu da República tornou-se um refúgio. “Recebemos cerca de três mil pessoas por dia. Além de trazer conhecimento, proporcionamos momentos de lazer”, conta a coordenadora do Departamento de Ação e Difusão Pedagógica do museu, Maria de Lourdes Teixeira.

O cair da noite no Catete desperta medo e euforia nos moradores. Desta vez, os passos fortes e rápidos se dirigem ou para casa ou para bares e restaurantes. Uns buscam proteção e outros a boemia, ratificando um sentimento dúbio que mistura orgulho, descontentamento e nostalgia por este lugar.

Fotos retiradas do site: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=887746

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Samba para amenizar a dor e o tédio


Mais de um mês sem postar. Com o início das aulas ficou difícil escrever. Para retirar essas teias de aranha e compensar o tempo perdido só mesmo uma boa história. Este é Waldir 59, uma das pessoas mais lindas que já conheci. Apaixonem-se:

As cores da antiga bandeira da Portela, estendida na casa de seu Waldir 59, já não têm a mesma vida. O passar dos anos foi cruel com o pedaço de pano azul e branco e também com o compositor da escola de samba fundada por Paulo Benjamin de Oliveira em 1923. Hoje, esses tons não passam de vultos para Waldir de Souza, de 81 anos, portador de uma doença hereditária que compromete sua visão. Por intuição ou vontade, muitos objetos no humilde apartamento no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, têm as cores da escola: o lençol de corações que cobre um dos sofás, os copos de vidro na cozinha, o porta-retrato que exibe uma reportagem sobre ele, além do sapato, da calça de linho e da camisa com a foto do amigo Candeia. Tudo ali respira Portela.

Se a visão não está a seu favor, os ouvidos permanecem aguçados e a mente trabalha a todo vapor. Seu Waldir é membro da comissão julgadora dos sambas da agremiação e continua compondo, mas sozinho. Nascido e criado em Oswaldo Cruz, bairro carioca onde surgiu a escola do coração, o sambista conheceu o compositor Candeia ainda na infância. As brincadeiras na rua deram início a uma grande amizade e parceria. Juntos, eles assinam muitas composições, como “Riquezas do Brasil”, samba-enredo da Portela de 1956.

Os dois amigos estavam unidos no dia do casamento de Waldir, no qual Candeia seria o padrinho. Seria, se a noiva, Ivone Machado, não desistisse em cima da hora. “A festa estava pronta, mas ela voltou atrás. Ele era muito mulherengo, dava muito trabalho”, conta a filha Rosilene, a grande companheira do pai. Waldir estava com Candeia no dia da confusão de trânsito que deixou o amigo paraplégico. “Naquela noite, algo me dizia para ir com ele”, conta. Companheiros na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, a morte os separou em 1978. As lembranças ficam apenas na memória, porque seu Waldir perdeu a pasta com todas as recordações do amigo, que ficava no carro que foi roubado. O único objeto que restou foi a camisa com a foto do parceiro de composições, que traz os dizeres “luz da inspiração”, um presente da filha de Candeia ao melhor amigo de seu pai.

Ivone e Waldir não se casaram no papel, mas viveram juntos durante anos e tiveram seis filhos. Depois dela, veio Almerinda, mulher com quem o compositor se relacionou até o ano passado. Ela também não aguentou as puladas de cerca do portelense. Em uma viagem para Brasília com sua escola de samba, Waldir 59 se apaixonou mais uma vez e até hoje não sabe dizer por que uma jovem, entre tantas belas passistas da cidade, o chamou a atenção de uma maneira singular. Disposto a conquistá-la, ele foi até a casa da jovem de 17 anos e deu de cara com a “futura sogra”. A mulher o reconheceu na hora. “Tivemos um relacionamento aqui no Rio de Janeiro e, sem que eu soubesse, ela ficou grávida”, sussurra ele, para que Rosilene não escute. A jovem que o encantou era, na verdade, sua filha.

Conquistador, ele ficou conhecido como “59” não pelo número de mulheres no currículo, mas pelas coincidências que envolvem o algarismo: era o número da casa onde ele morava, da matrícula na Portela, de dois dos dígitos do telefone e da placa do carro, além de ser o ano de uma vitória no samba. A vida do membro da Velha Guarda da Portela está longe de ser a mesma que era em 1959. Praticamente cego, ele trocou a boemia das ruas pelo sossego do lar. Quase não sai de casa e precisa de ajuda para tudo. Rosilene é praticamente a mãe de seu pai: cozinha, limpa a casa e deixa suas roupas “coordenadas”, como ela chama, para que ele esteja sempre bem vestido e combinando.

Veja alguns momentos da entrevista com Waldir 59:

video

Apesar dos contratempos, o velho boêmio não parou de trocar o dia pela noite. Com medo de deixar o pai sozinho, Rosilene bem que tentou fazê-lo morar com ela, mas não deu muito certo. “Ele fica acordado até tarde com o rádio ligado e as luzes acesas. Meu marido e eu não conseguíamos dormir”. Para ter de novo a sensação de liberdade, às vezes ele sai de casa sem avisar, deixando os filhos com os nervos à flor da pele. Sem contar com as voltas que leva. Outro dia foi de um taxista, que ficou com uma nota R$100, ao invés de R$2. Faxineiro do condomínio há quatro anos, Joaquim Cesário dos Santos ajuda seu Waldir com pequenos serviços mecânicos e elétricos. Os dois costumam jogar conversa fora e o proprietário do apartamento 419 tira sorrisos do funcionário do prédio. “Admiro muito a alegria dele”, conta Joaquim.

Sem dinheiro e com a fama de marido infiel e pai ausente por conta da vida noturna, o flamenguista Waldir 59 acha que não tem mais nenhum sonho a realizar. Nem os problemas de visão, nem o fato de ter perdido um filho por causa das drogas tiram a alegria de viver do homem que, como em uma de suas canções, encontrou no samba o remédio eficaz para amenizar a sua dor e o seu tédio.


Seu Waldir e Eu, quando o conheci em um show que homenageou Candeia

domingo, 9 de agosto de 2009

Uma escrava da liberdade





Para quem estava sentido falta de teatro por aqui (arte que eu gosto muito e fiz durante alguns anos), este post é para você.

No final de semana passado liguei para o Oi Futuro para saber se eles ainda estavam vendendo ingressos para o espetáculo "Viver Sem Tempos Mortos", um monólogo de Fernanda Montenegro. Quando me atenderam, a frase já estava pronta: "Os ingressos estão esgotados. Chegue aqui na próxima terça-feira às 9h da manhã para conseguir comprar". E foi o que eu fiz. Para minha surpresa, já havia uma fila considerável. Conversa vai, conversa vem e acabei descobrindo que a bilheteria só abria às 11h. Meu Deus, o que eu ia ficar fazendo durante quase duas horas? Acabei fazendo amizade, conversando sobre arte, teatro, universidades e, até, sobre moral, quando começou a ser questionado (e protestado!) a entrada tardia de acompanhantes no meio da fila. Idosos, jovens, mulheres aficcionadas pela obra de Simone de Beauvoir e intelectuais se uniam para ver Fernanda vivendo Simone.

Finalmente, por volta das 11h15, consegui meus ingressos: Sábado (8/08), às 19h30, na fila B, cadeiras 9 e 10. Não poderia sair mais feliz dali. Por apenas R$7,50 eu estaria cara-a-cara com Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes do Brasil. E, ontem, este dia finalmente chegou.



Não conhecia a obra da escritora, filósofa e existencialista Simone de Beauvoir. E fiquei maravilhada. No palco, apenas uma cadeira e Fernanda, plena e solitária. A atriz não se preocupou em se parecer fisicamente com Simone, usar adereços que ela usava ou copiar gestos típicos. Não há cenários, apenas uma cadeira preta no centro das rotundas e coxias. A atriz só se preocupa em mergulhar nas cartas de Simone para Jean-Paul Sartre e nos sentimentos daquela mulher. A peça começa quando ela se senta na cadeira, sob um foco de luz e inicia a viagem sobre a trajetória da escritora.

Conheça mais a obra de Simone de Beauvoir

O texto é belíssimo, delicado, que fala sobre peculiaridades da vida, de seu amor fiel e infiel por aquele "homenzinho" (como é chamado por amigos), que há tempos já não a desejava mais como mulher, e, sobretudo, sobre o seu grande lema: A liberdade. O resultado não poderia ser melhor: uma linha do tempo que percorre importantes acontecimentos da vida de Simone de Beauvoir.

A atriz se detém a gestos contidos, olhares cheios de nuances e pequenas alterações na voz. E o que para muitos pareceria monótono, a peça se torna uma bela obra de contemplação e envolvimento. Impossível não se deixar levar pelas emoções de Simone e desenhar na mente todos os passos que forma dados por ela. Cenários, esteriótipos e figurinos característicos despersariam toda esta relação de respiração única entre Fernanda e a plateia.



A cadeira que ela fica sentada durante todo o espetáculo nada mais é do que a que Simone se sentou ao lado da sepultura de Sartre. Quando o filósofo morreu, belissimamente a escritora deitou-se com ele, numa metáfora delicada de quem diz "me leve com você".

Ao final da apresentação, a atriz senta-se ao lado da escritora e feminista, como Simone, Rosiska Darcy para um bate-papo. Este debate torna-se fundamental para o esclarecimento de determinados pontos do texto e da vida da escritora. É fantástico.

Ambas relatam as experiências que tiveram com o projeto em periferias brasileiras. Elas deixaram claro um aspecto que, para mim, é muito certo, desde sempre: Não se pode preterir pessoas com menos intrução, achando que elas jamais irão entender. Fernanda e Rosiska deram depoimentos surpreendentes, provando que as emoções do texto atingiram domésticas, garis, pessoas humildes e as atingiu de uma forma, talvez, muito mais verdadeira e pura, livre de pré-conceitos. Sem conhecimento prévio, as pessoas diziam o que elas sentiram daquela mulher e de seus pensamentos. As perguntas não eram filosóficas e elaboradas e sim diretas. Rosiska relatou um depoimento que me chamou muito a atenção: uma moça, afirmou que Simone, que defendia a todo custo a liberdade, acabava se tornando uma escrava dela. E isso é belíssimo, uma interpretação riquíssima. A liberdade pode ter se tornado uma obsessão, de tanto que ela a buscava em todos os aspectos de sua vida. Um depoimento muito comovente e inteligente.

Debate com Fernanda Montenegro no Sesc Anchieta, em São Paulo:



Um outro momento interessantíssimo foi quando um homem na plateia se declarou "filho" de Fernanda Montenegro e Fernando Torres, por tamanha admiração que tinha ao casal. A declaração deixou a atriz surpresa e emocionada.

Muita emoção para um dia só! Vale a pena assistir a força a interpretação de uma atriz, que acaba de completar 80 anos, e domina o palco e a plateia. Mas, cheguem cedo na terça-feira ou então esperem a temporada de setembro no Teatro do Fashion Mall.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Dicas para o final de semana



Já que o tempo não está firmando e o sol, quando aparece, fica muito tímido, o melhor a fazer é aproveitar os programas que a cidade maravilhosa oferece. Por isso, segue algumas dicas para este final de semana:

CINEMA
À Deriva, de Heitor Dhalia. Com Vicente Cassel, Laura Neiva e Débora Bloch. Drama. 14 anos. 101 minutos.
Depois de "Nina" e o espetacular "O Cheiro do Ralo", Dhalia estreia o elogiadíssimo filme que fala sobre a confiança. O filme conta a historia de Felipa, uma garota de 14 anos, que, durante as férias na praia, está passando por dilemas amorosos e, acima de tudo, enfrentando um drama familiar forte: O conflito amoroso entre seus pais. A menina descobre que o pai, um famoso escritor, trai a mãe. Esta será apenas a primeira de uma série de descobertas da jovem.

Veja o trailer:



ONDE ASSISTIR:
São Luiz: R. do Catete, 311
15:20 17:30 19:40 21:50
Kinoplex Shopping Tijuca: Av Maracanã 987
13:00 15:00
Cinemark Botafogo: Praia de Botafogo, 400
15:15 19:50
Estação Vivo Gávea: R. Marquês de São Vicente, 52
13:20 15:30 17:40 19:50 22:00
Roxy: Av. Nossa Senhora de Copacabana, 945
13:30 15:30
Kinoplex Fashion Mall: Estrada da Gávea, 899
15:00 17:00 19:20 21:30
UCI New York City Center: Av. das Américas, 5000
20:00 22:15 00:30


TEATRO




Viver sem Tempos Mortos, monólogo com Fernanda Montenegro. Direção Felipe Hirsch.



A atriz encena textos selecionados das cartas escritas pela francesa Simone Beauvoir para seu marido Jean-Paul Sartre.
Oi Futuro: Rua Dois de Dezembro 63, Flamengo. Quinta à domingo às 19h30. R$ 15. 60 minutos. Até 30 de agosto.

SHOWS:

Empolga às 9 - Estrela da Lapa. 23h. R$ 25 (os 300 primeiros espectadores) e R$ 30
Fundado por alunos do Monobloco, o grupo mistura samba, baião, coco, frevo, maracatu, samba-funk e rock.
Endereço: Av. Mem de Sá 69, Lapa — 2507-6686.

E já que a maioria das instituições de ensino prorrogaram as férias até o dia 17 de agosto (santa gripe!), segunda-feira também é dia de aproveitar:

Diogo Nogueira - Teatro Rival Petrobras, Rua Álvaro Alvim 33 – Cinelândia. Tel.: 3223-6600. 19h. Grátis para os 100 primeiros.

Semana que vem tem mais! Beijos e bom fim de semana!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Música para todos os sentidos




Os fãs podem agradecer. Tudo indica que a banda norte-americana Beirut deve vir ao Brasil em setembro para fazer shows em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Salvador. De acordo com o blog Nação da Música, a banda vai se apresentar no Via Funchal (SP), no Oi Casa Grande (RJ) e Teatro Castro Alves (BA).

Nas três cidades, o grupo será trazido como atração do 16º festival Perc Pan – Panorama Percussivo Mundial. Com exceção da capital paulista, os norte-americanos dividirão o palco com artistas de diversas partes do mundo, incluindo Brasil, Argentina, Itália, França, Alemanha, Japão, EUA e Jordânia.



Em uma entrevista da Rolling Stones do mês de julho, Zach Condon, líder da banda, declarou ser fã de Caetano Veloso e quem tem escutado músicas de Jorge Ben e dos Novos Baianos. (O menino sabe o que é bom!)

A banda ficou conhecida no país quando a música "Elephant Gun" fez parte da trilha sonora da minissérie "Capitu", de Luiz Fernando Carvalho. Zach disse que ficou muito surpreso quando soube da inclusão de sua música em uma produção tupiniquim e que, em pouco tempo, sua caixa de e-mails estava lotada de mensagens de brasileiros.

Conheça mais a banda Beirut no site oficial

Ainda estou descobrindo o som do Beirut, mas desde a primeira vez que ouvi "Elephant Gun" em "Capitu", fiquei arrepiada com tamanha beleza. O som era diferente, a voz, os instrumentos usados, tudo. Sou suspeita para falar porque adorei a minissérie e todo seu trabalho lúdico e teatral. Tudo era lindo. O cenário, as roupas, a luz, os atores e... a música!

Além do belíssimo trabalho artístico da minissérie que retratou "Dom Casmurro", a trilha sonora era emocionante e, para mim, inesquecível. E que venham mais belíssimos trabalhos como este. Uma verdadeira obra de arte para os nossos ouvidos e todos os sentidos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Cinema em alto e bom som (e melhor ainda se for sem som!)



Domingo frio e chuvoso. Nada melhor do que curtir um cineminha. Desta vez, decidi ver dois filmes, um atrpas do outro. Primeiro embarquei nas aventuras de um "musiquinho" baiano, nascido em Santo Amaro da Purificação, a 73 km de Salvador, na Bahia. Dirigido por Fernando Grostein Andrade, o filme "Coração Vagabundo" acompanha uma viagem musical de Caetano Veloso durante uma turnê americana e japonesa do disco "A Foreign Sound". Ao longo de breves 60 minutos, o espectador entra na intimidade do compositor. Apesar de ser gostoso ver Caetano em momentos tão inusitados (como quando ele se vê obrigado a comer um doce japonês) e, até mesmo nu, "Coração Vagabundo" não consegue desvendar completamente a alma do compositor e sua vasta obra e carreira são deixadas um pouco de lado. Apesar de não ser o objetivo do filme, falta profundidade e respostas. Talvez, sendo apenas um extra de DVD (como era o obejtivo inicial), o material daria conta do recado.

Assista ao trailer de "Coração Vagabundo"




As imagens e a edição são primorosas. Pequenos detalhes são destacados de forma delicada e engraçada (como é o caso da japonesa que dorme no metrô). Talvez o grande ponto do filme são as cenas que mostram o cineasta italiano Michelangelo Antonioni, que faleceu em julho de 2007, além do depoimento do também cineasta Pedro Almodóvar, que rasga elogios à Caetano Veloso e Paula Lavigne.

Mesmo com a falta de profundidade, vale a pena se divertir com o Caetano polêmico e irreverente que todos nós conhecemos.
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Depois de sair da sala feliz, mas sem estar completamente satisfeita, decidi assistir ao longa-metragem "Casamento Silencioso". Dei um tiro no escuro, afinal não tinha lido nenhuma crítica e as sinopses dos jornais geralmente não despertam o interesse devido. Mesmo assim decidi entrar e tive uma surpresa maravilhosa.

O enredo, segundo o tijolinho: Na Romênia de 1953, um casamento é interrompido pelo anúncio da morte de Joseph Stalin, que traz uma semana de luto nacional.


Assista ao trailer de "Casamento Silencioso":





Todo o filme é muito bem cuidado, mas uma sequência em particular chama muito a atenção e vale o ingresso. Com a morte de Stalin, Nara (Meda Andreea Victor) e Iancu (Alexandru Potocean) se veem proibidos de comemorar sua união. Toda a festa estava pronta, a comida preparada, os convidados que vieram de longe estavam devidamente arrumados e os noivos, prestes a iniciar as comemorações. Até que líderes do partido comunista anunciam que o país ficará de luto, e, portanto, festas ou qualque tipo de manifestação estão proibidas neste período.

Os convidados, então, se recolhem e dão início à uma comemoração dentro de casa, de maneira totalmente silenciosa. Esta sequência é sensacional. Uma aula de comédia inteligente e bem feita. Depois destas cenas, poderia ir tranquilamente para casa, pois já estaria feliz. No final, o filme faz algumas revelações que tornam a história uma comédia dramática muito bem delineada e interessante. Não quero estragar a surpresa de vocês. Só digo uma coisa: Vale a pena assistir a originalidade do filme.

Depois desta experiência fui para casa feliz. Foi uma noite de muita música com Caetano e pouco som com os romenos. Adorei a mistura.
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Obs: Caetano que me desculpe, mas a música brasileira que é a melhor do mundo. Ouvindo "Para Ver As Meninas", de Paulinho da Viola.